sexta-feira, 31 de maio de 2013

DIY na Prática

No último dia das mães, presenteei a minha com um armário de cozinha modulado de três peças. Reconheço o movimento que diz que o presente deveria ser para a mãe e não para a casa, mas a minha realmente gosta de ganhar complementos para algo que ela batalhou muito para possuir, e as menções ao desejo do armário já eram bem antigas.
Fui lá, enfrentei o shopping, encontrei uma bela promoção, paguei o dito e a pergunta final do vendedor foi, “o nosso serviço de montagem custa R$ 30,00, vai contratar?”. Trinta segundos de indecisão, mais uma avaliação no armário, “vem com o manual de montagem, não é?”, pensamentos sobre a aversão de pessoas estranhas na minha casa, e a pequena economia foi o que menos pesou, a diferença real foi, “qual o real motivo para eu não fazer isto sozinho?”. 
Uma semana depois o armário chegou, custou três horas de uma sexta-feira a noite, muitas dores nas costas e um corte no dedo para montar, mais duas horas de uma tarde chuvosa de sábado para instalar na parede e colocar as portas de um jeito que fechassem. Ficou um pouco torto para a esquerda, mas achei charmoso, e o processo de guardar alguns utensílios de vidro dentro dele me deixou especialmente tenso. 
No fim me rendeu um tempo compartilhado com a minha mãe tentando descobrir onde estavam os três manuais e qual parafuso iria em qual buraco, o que foi um ótimo presente. Porém o principal foi a satisfação de ter feito aquilo, de ter transformado os 32 Kg de chapas de aço pré-moldado em uma parte da minha cozinha e da minha família. Abrir as pequenas portas nas semanas seguintes para pegar um copo e lembrar do esforço necessário para que elas fechassem corretamente. 
E passar pelo meu armário torto e sempre pensar em fazer melhor na próxima vez.


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Eu, oceano...



"Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, para o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. O rio precisa de se arriscar  entrar no oceano. E somente quando ele entrar no oceano é que o medo desaparece, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas de tornar-se oceano." (Osho)

                                                                                                                                                    


domingo, 12 de maio de 2013

A Música das Coisas - Sapatos

the woman who lives in a shoe

Uma das coisas que me fascina são as relações que criamos entre objetos e histórias que não estão diretamente ligados, mas que por conta dos fatos que nos compõe acabam colados pelas nossas emoções. Outras ligações são mais óbvias, seja pela temática que se repete, por um objeto compartilhado ou por uma ação que se complementa. O shuffle do meu player de música promove vários desses encontros, que passam a fazer sentindo na minha cabeça e quase sempre provocam um sorriso não registrado. E aqui cabe um registro.

Os sapatos possuem uma forte carga cultural, quase sempre com o significado de uma vida nova, ou pelo menos diferente, e facilmente representada nas nossas fábulas infantis. Seja como a representação da noite de sonhos que a Cinderela viveu e no qual funciona como peça que a torna realidade, na chave do retorno seguro de Dorothy para casa ou na transformação que causa no Gato de Botas. 


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Meu Medo de Não Ter Medo

 Quando meu namorado me apresentou á ideia de fazermos um blog, me pareceu natural falar sobre medo no meu primeiro post. A “naturalidade” na escolha do tema do meu texto de estréia se deu, principalmente, porque medo é um sentimento muito próximo de mim, muito presente na minha vida e foi exatamente o que eu senti no momento que aquela ideia de diversão e liberdade me estava sendo proposta.

 Sinceramente, não conseguiria contabilizar e muito menos relacionar as inúmeras vezes em que o medo fez com que eu desviasse do caminho sem ao menos tentar. É quase como se eu ficasse paralisado, absorto pelo medo e pela possibilidade de fracasso. O MEU MEDO é exatamente este: o medo de não conseguir. É um sentimento de fraqueza que faz com que você nem tente algo pela simples possibilidade de não conseguir realiza-lo ou pela mínima probabilidade de insucesso; É o receio de decepcionar as pessoas que você ama e que apostam em você; é a insegurança de não ser bom o suficiente, o temor de fracassar, é o medo do novo...

 A possibilidade de escrever em um blog me colocou em um momento de auto avaliação e de questionamento: “Vou escrever sobre o que?”, “Será que eu sou capaz?”, “Tenho algo relevante a falar?”, “E os meus medos?”.

 Depois de um tempo de reflexão e de uma análise racional da situação, de momentos de insegurança e do total apoio do meu namorado, eu entendi que poderia e deveria tentar. Tentar, simplesmente. Não que o medo tenha ido embora ou diminuído, muito pelo contrário. A verdade é que ele continua aqui, presente e latente, em cada uma destas palavras. A diferença é que, desta vez, ele não conseguiu me paralisar. A diferença é que, dessa vez, eu consegui ser mais forte. E nesse momento este passo dado adiante é a conquista mais importante e valiosa.

 Percebam, não existe, em nenhum nível, a pretensão de escrever aqui textos incríveis ou de me tornar “um escritor relevante” ou muito menos ser o novo Arnaldo Jabor. Tudo que eu quero, neste momento, é poder me divertir, me colocar e falar sobre as coisas e os assuntos que eu gosto e me interesso e, acima de tudo, entrar no processo de exorcismo dos meus medos. Tenho certeza absoluta que escrever nesse espaço vai me ajudar muito e me fortalecer como pessoa. O meu compromisso é fazê-lo com o máximo de honestidade e dignidade possível.


 Apesar dos clichês inevitáveis, este post não conta a história romântica de alguém que enfrentou seus receios e se tornou um vencedor. Esse post trata com honestidade da história de um anti-herói da vida real que, apesar dos seus medos e inseguranças, resolveu sair da sua zona de conforto e tentar um caminho diferente. Conta, sobretudo, a historia de uma batalha vencida numa guerra que ainda não acabou. Tão certo quanto a continuidade dessa guerra é o fortalecimento e o esforço deste guerreiro em vencer cada uma das batalhas que virão. Com medo ou sem medo o importante é lutar. O imprescindível é tentar. Que venham as próximas batalhas!