domingo, 28 de abril de 2013

Porque Tenho Acesso à Internet

por vezes existe uma vontade de se expressar e esta vontade ultrapassa a atualização das redes sociais, existe a vontade de falar algo que dure um pouco mais, ou possa atingir mais pessoas.

não que eu esteja criticando a tendência irreversível de falar de si mesmo, do seu dia a dia e pequenos comentários sobre o que acontece no nosso alcance de mundo com os amigos e com quem você conhece ou confia, mas por vezes os interesses não são os mesmos, ou a vontade não é a mesma ou aquele comentário interessante e pertinente que tem mais de cinco linhas se perde no mar de cotidianismo, aquela impressão ou pensamento diferente corre na torrente de atualizações e nunca mais volta. às vezes os pensamentos precisam ficar e durar um pouco mais, pra que outro alguém possa se identificar daqui um ano ou dois, para quem possam ser revisitadas, repensadas, reusadas.

por outro lado, sempre vem aquele pensamento, "mas eu tenho algo importante pra dizer? eu tenho uma opinião que merece destaque?" antes de chegar a reposta, me convenci (ou achei mais conveniente me convencer) de que isto não importa, é o tipo de ideia que só atrapalha e te impede de fazer algo. sempre me doeu o lema que já ouvi por aí de alguns, "você não é um escritor, você só tem internet, você não é um poeta, você apenas escreve, você não é um fotógrafo, você só tem uma câmera fotográfica". 

o espelho dos críticos

porque minimizar as pessoas e o que elas tem a dizer? será a máxima de tirar valor do outro para aquietar a nossa mente por não sairmos da inércia em que vivemos? a indignação é algo que torna-se difícil de entender quando é mais fácil apenas não reconhecer. a internet dá ferramentas para que cada um se expresse de uma forma, que dentro das possibilidades, é igualitária. há muita pretensão em julgar a produção de outros pela nossa régua e necessidades, então classificar em útil, bom, ruim, desnecessário. 

quando perguntado sobre o "por que você faz cinema?" o diretor João Pedro de Andrade deu uma resposta que virou poesia e canção através de Adriana Calcanhotto, e que, mesmo sem nunca ter visto um de seus filmes, me inspirou. a inspiração é como um vírus que contagia pelo contato da pele, mas que pode ficar adormecido anos antes de conseguir gerar uma infecção, para os quais alguns podem ser imunes, mas que pode se alastrar e tomar conta de todo o sistema de outro em pouco tempo. pois o valor de algo não esta nas mãos de quem faz, mas nos olhos de quem vê; e existem tantos olhos no mundo.

estou aqui escrevendo por isto, para que outros possam saborear um pedaço do que colhi, para que ainda esteja aqui para outras civilizações, para desafiar o meu ser, porque tenho acesso à internet.